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As vantagens da agricultura de precisão


A agricultura de precisão, também intitulada de AP, apresenta-se como uma revolução tecnológica, podendo alterar o nosso modo de pensar e de administrar as propriedades rurais. Essa mudança ocorre em virtude de ser uma técnica que envolve a coleta de informações precisas e o processamento dessas em todas as etapas de produção, auxiliando no gerenciamento e na tomada de decisão exata. Proporcionando ao agricultor uma nova forma de visualizar sua propriedade, deixando de lado a visualização dela como um todo e levando à visão de várias, englobadas em uma.

Porém, a técnica aparentemente nova, tem seus primeiros fundamentos teóricos datados do ano de 1929, nos Estados Unidos. Todavia, tornou-se mais popular a partir da década de 80, em virtude dos progressos e à difusão dos sistemas de posicionamento global, do monitoramento da colheita e especialmente pelo grande crescimento da informática. No Brasil, os primeiros estudos direcionados iniciaram na década de 90. Logo, com o seu aperfeiçoamento, novos conceitos, técnicas e ferramentas se tornaram populares e estão disponíveis ao agricultor hoje.

A principal particularidade da AP consiste no fato de que os dados não são mais trabalhados em função da média geral, como na agricultura convencional, e sim através da média de uma determinada área menor. As áreas antes consideradas homogêneas, pelo fato de ocorrer à aplicação de insumos em toda a sua extensão as mesmas quantidades, passam a ser avaliadas como heterogêneas, onde cada célula representa uma porção da área total e estas apresentam suas características específicas.

Tal filosofia se baseia no gerenciamento centrado das variabilidades espaciais (ocorrência de plantas daninhas, pragas, doenças, entre outros, em um determinado espaço) e temporal (análise das variâncias ao longo de um determinado tempo) das características referentes à cultura na aplicação de insumos. Dentre estas variâncias tem-se, além das citadas, o solo, a sanidade da cultura, a produtividade, o histórico da área, entre outros.

A agricultura de precisão apresenta-se em forma de um ciclo, em virtude da ocorrência de uma série de acontecimentos que se sucedem em uma ordem determinada, sendo possível separá-la em quatro fases. A coleta de dados, o processamento e interpretação destes e por último a intervenção. No entanto, ambas as etapas ocorrem em todo o ciclo produtivo de uma cultura, pois para cada atividade necessita-se da efetivação destas.

Na coleta de dados temos a utilização de sistemas de posicionamento, como o GPS (Sistema de Posicionamento Global), do sensoriamento remoto com a utilização de fotografias áreas, imagens aéreas de satélites, mapas de produtividade gerados no momento da colheita, monitoramento da cultura, além da análise de solo.

Os dados gerados na fase de coleta necessitam sofrer um tratamento, de forma que as decisões futuras possam ser tomadas de forma exata, sendo processados através do emprego de programas computacionais (SIG) e o sistema de informação geográfica ou simplesmente GIS. Resumidamente nesta etapa ocorre a transformação dos dados em informações de forma localizada.

Contudo, por mais automatizado que o processo seja, torna-se necessário a interpretação dos dados por engenheiros, agrônomos e especialistas. Portanto, uma intervenção na área somente é possível após uma avaliação criteriosa das informações em mãos, pois estas possibilitam uma melhor tomada de decisão, de forma rápida e precisa.

A partir do momento em que as informações foram analisadas e as decisões foram tomadas temos a fase de intervenção desenvolvida nas etapas de plantio, adubação, pulverização, cultivo e colheita com a utilização de máquinas agrícolas.

Inicialmente, analisa-se a variabilidade do solo, tanto física quanto química, tendo estas hoje o principal enfoque. Essa oscilação de fertilidade proporciona diferentes respostas e leva à variação de produtividade por hectare. Portanto, faz-se necessário saber de suas características e realizar um acompanhamento ao longo de sucessivos cultivos.

A solução apresentada é a confecção de um mapa de fertilidade através de uma coleta georreferenciada, possibilitada pela amostragem direta no campo, podendo esta ser direta ou dirigida. A primeira engloba a divisão em “grids” (áreas iguas) ou células (áreas desiguais) sendo que as amostras são coletadas ao redor de um ponto definido e georreferenciado, de forma que a superfície do mapa é criada a partir da interpolação dos valores atribuídos aos pontos. A segunda baseia-se em um histórico da aérea gerado a partir de sucessivos cultivos com o emprego da agricultura de precisão possibilitando a divisão da aérea por variabilidade (mapas de produtividade, fertilidade, topografia) de forma que o local que apresenta uma baixa variabilidade o número de amostras poderá se menor que em um local com uma maior. Além disso a forma e tamanho da aérea também são definidos por este parâmetro.

A aplicação de taxas variáveis na operação de adubação e correção da fertilidade do solo, com o emprego dos mapas de fertilidade, produtividade, compactação e topográficos, tem ser tornado uma das principais vantagens da agricultura de precisão tanto economicamente quanto ambientalmente. Estes mapas são interpretados pelos controladores eletrônicos das máquinas de aplicação e com a localização fornecida através do sistema de posicionamento global a máquina aplica somente a quantidade determinada no mapa nos locais planejados.

Posteriormente a correção inicia-se o plantio à taxa variável. Baseando-se no mapa de fertilidade, gera-se um mapa de plantio, variando a densidade de sementes por linha ou seção, e hoje já se faz possível, a de espaçamento de plantio. Uma planta bem nutrida se desenvolverá de forma correta e chegará ao estádio de maturação em plenas condições de maximizar a sua produção. Portanto, tem-se aqui o principal motivo que leva os agricultores a utilizarem a AP: o aumento de produtividade que leva a um incremento de rentabilidade.

Dentro da distribuição localizada de defensivos, uma das mais importantes etapas, tem-se a determinação do posicionamento dos alvos, de forma que duas metodologias podem ser empregadas. Inicialmente tem-se a opção de detectar o alvo através de sensores no momento da aplicação, sendo esta realizada somente sobre as áreas desejadas. De outra forma, pode-se realizar a coleta de dados para elaboração de mapas georreferenciados dos alvos, os quais são processados com o auxílio de sistemas de suporte a tomada de decisão, gerando os mapas de aplicação. Posteriormente, estes mapas são empregados pelo sistema de controle de máquinas ou equipamentos que comandam a distribuição localizada.

Na etapa de colheita gera-se os mapas de produtividade, sendo este processo efetivado pelo registro do fluxo e umidade dos grãos, área colhida e produção por meio de um mecanismo de colheita da colhedora (monitores de colheita) e ao mesmo tempo é registrado o posicionamento no campo sendo a informação mais completa para se visualizar a variabilidade espacial de uma lavoura. Este mapa demostra a variabilidade de produtividade por área, de modo que se torna um indicativo de deficiência agronômica, muitas vezes de carência por um determinado fertilizante. Além disso, fornece outras informações importantes no gerenciamento da produção como as quantidades a serem enviadas para o armazenamento, escolha de melhores variedades e híbridos de sementes, estimar doses de fertilizantes e agroquímicos, entre outros. Muitos autores consideram esta etapa como a primeiro passo do ciclo da agricultura de precisão.

O mapa de produtividade também é um indicador de êxito ou fracasso das operações de gerenciamento, pois abrange todos os fatores que influenciaram o desenvolvimento da cultura.

A agricultura de precisão oferece grandes benefícios para os usuários deste sistema, permitindo decisões mais embasadas e rápidas. Uma maior capacidade e flexibilidade para a distribuição dos insumos naqueles locais e no tempo em que são mais necessários, minimizando os custos de produção. Redução do grave problema do risco da atividade agrícola, permite um maior controle da situação, melhoramento do rendimento da cultura, conservação do solo e a redução da degradação ambiental pelo menor uso de defensivos e fertilizantes.

Possibilitado pelo aumento da precisão na aquisição de dados e análises do mesmo, as perspectivas para a agricultura de precisão são positivas, conforme se forem mais bem compreendidos e mapeados os fatores que influenciam na variabilidade das áreas agrícolas.

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